Efeito de Borda Sobre a Dispersão Primária e Secundária de Sementes de Miconia (Melastomataceae), um Gênero Diplocórico

Este projeto faz parte do grupo:

efeito de borda

Projeto aprovado no Edital de Iniciação Científica e Tecnológica 2010/2011. Esta pesquisa teve como objetivo investigar as alterações causadas pelo efeito de borda (resultado da fragmentação de habitats) sobre a diversidade e o comportamento de aves e formigas dispersoras de sementes de Miconia spp (Melastomataceae) em um fragmento de cerrado no Parque Municipal das Mangabeiras, Belo Horizonte (MG).

1. Título do projeto

Efeito de borda sobre a dispersão primária e secundária de sementes de Miconia (Melastomataceae), um gênero diplocórico.

2. Início e conclusão

O projeto teve início em outubro de 2010 com previsão de término em junho de 2012.

3. Equipe

– Orientador: Evandro Gama de Oliveira – Professor Adjunto no Centro Universitário Una.
Coorientador: Fernando A. O. Silveira – Doutor em Biologia Vegetal (ICB/UFMG).

Bolsistas
Leandro G. da S. Assunção – IC UNA/FAPEMIG
Sabrina Soares Araújo – IC UNA/FAPEMIG

Aluno voluntário
Eduardo de C. Dutra – PUC Minas.

Outros pesquisadores no projeto

– Rosiane Resende Leite (pesquisadora no subprojeto formigas; cursando Mestrado em Turismo e Meio Ambiente, Una).

– Filipe Cristovão Ribeiro da Cunha (colaborador externo no subprojeto aves; cursando Mestrado em Biomas Tropicais, UFOP).

4. Resumo

A fragmentação de habitats é considerada atualmente uma das formas mais conspícuas e difundidas da ação humana em ambientes florestais e representa a principal ameaça para a biodiversidade (Wilcove et al. 1986, Matthies et al. 1995, Olson et al. 2000, Tscharntke et al. 2002). Após a própria perda de habitat, a fragmentação é o maior impacto das atividades humanas sobre a diversidade biológica em escala global (Tabarelli et al. 2008; Fahrig 2002). Na América Latina, estima-se que a mudança do uso do solo devido à agricultura e pecuária já tenha transformado mais da metade da área original, resultando num mosaico de habitats.
O efeito de borda, resultado da fragmentação de habitats, causa mudanças profundas nos aspectos físicos (insolação, temperatura, intensidade do vento) bem como na composição e estrutura de comunidades animais e vegetais (Laurance & Peres 2006; Laurance & Bierrega 1997). Um aspecto pouco investigado da fragmentação de habitats são as alterações que ocorrem nas interações ecológicas entre animais e plantas.
Neste estudo (em andamento), buscamos testar a hipótese de que a borda influencia a interação entre Miconia (Melastomataceae) e seus dispersores primários (aves) e secundários (formigas). O gênero Miconia pode ser visto como modelo para este tipo de estudo uma vez que apresenta grande diversidade de espécies, ocorre em uma variedade de habitats (incluindo borda e interior de fragmentos), e produz frutos tipicamente diplocóricos. As alterações na abundância, composição e diversidade mediada pela borda podem ter consequências ainda não completamente compreendidas no recrutamento de plantas. A composição, abundância e taxa de remoção de frutos por aves e formigas dispersoras de sementes de Miconia foram estimadas na borda e no interior de um fragmento de cerrado no Parque Municipal das Mangabeiras, Belo Horizonte, Minas Gerais.
Dez espécies de aves realizaram 23 visitas às infrutescências de Miconia rubiginosa, sendo 9 no interior da mata (19 visitas) e 3 na borda (4 visitas). Tangara cyanoventris foi a espécie mais frequente e possivelmente a melhor dispersora, uma vez que engolia os frutos inteiros e dispersava sementes a distâncias maiores. Seis espécies de aves foram observadas interagindo com frutos de M. albicans (11 visitas), das quais, 4 foram registradas na borda (8 visitas) e 3 no interior (3 visitas). A espécie mais frequente, Dacnis cayana, empregou o comportamento de colher e mandibular os frutos e dispersou as sementes junto à planta mãe. Turdus rufiventris foi considerada a melhor espécie dispersora, pois apresentou maior taxa de remoção (10 frutos/visita) e engoliu os frutos inteiros. M. ligustroides foi a espécie que obteve menor número de aves interagindo com suas infrutescências (5 espécies/12 visitas), para a qual foram registradas três espécies de aves em ambos ambientes. Turdus lecomelas foi a espécie que permaneceu mais tempo na planta, e de modo geral removia e engolia os frutos inteiros, sendo possivelmente a melhor dispersora de sementes dessa espécie de Miconia.
A comunidade de aves que interage com os frutos dessas três espécies de Miconia no Parque das Mangabeiras é composta por aves generalistas, as quais exercem papel importante para o fluxo gênico e para a manutenção dessas populações de Miconia ao dispersar suas sementes.
Aproximadamente 14 espécies de formigas pertencendo a quatro subfamílias (Ectatomminae, Formicinae, Myrmicinae e Ponerinae) interagiram com frutos de duas espécies de Miconia (M. ligustroides e M. rubiginosa) no Parque das Mangabeiras. Cinco espécies de formigas apresentaram os comportamentos de remover e transportar por até 5 cm os frutos de M. Ligustroides, enquanto nove espécies de formigas apresentaram o comportamento de interagir (coletando líquidos ou despolpando os frutos no local), cortar e transportar por distâncias de até 5 cm os frutos de M. Rubiginosa. A comparação da taxa de remoção de frutos entre os tratamentos de exclusão de vertebrados e controle aberto (teste Wilcoxon) não mostrou diferença significativa. A comparação da taxa de remoção de frutos entre os dois ambientes (teste de Mann-Whitney) não mostrou diferença significativa entre os dois ambientes (borda e interior). Assim, concluímos que formigas são importantes dispersores de sementes de Miconia tanto na borda quanto no interior desse fragmento de cerrado no Parque das Mangabeiras.

5. Coordenador (a) do projeto

Orientador: Evandro Gama de Oliveira
Coorientador: Fernando A. O. Silveira

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Campus:

Palavras-chave:

Diplocoria. Fragmentação de habitats. Interação animal-planta.